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sexta-feira, 17 de setembro de 2010





Estou enfadado esta manhã (para variar). Não sei o motivo, ou talvez seja tão óbvio que não queira enxergá-lo. Caminho sobre o chão — acinzentado —  da minha velha, porém acolhedora residência. Talvez me sirva de uma fumegante xícara de café; trague-me de alguma besteira que fora posta na geladeira no dia anterior. Não consigo sentir prazer em coisas banais. Esse não sou eu... Ou estaria eu fugindo do inevitável? Do monstro angelical que me tornará para os outros. As janelas permanecem fechadas, pois não consigo abri-las. Não consigo olhar para fora. Mesmo sabendo que se permanecer dentro do meu invólucro, serei afagado pelas mãos, levemente frias, da solidão. Faz frio esta manhã. O vento sopra e colide sobre as casas, como se fosse derrubá-las. O frio — que insiste em permear pelas frestas da casa — chega ao meu lado de forma suave, tocando levemente meus lábios. Sinto-me só. Mas quem já não se sentiu assim? O mundo se faz tão parco em relação aos nossos desejos. É como se você fosse capaz de tocá-la; fosse capaz de contê-la; fosse capas de amá-la; mas não tivesse a capacidade de tê-la.

Postado por αทg૯ℓ às 11:23  

Marcadores: Meus manuscritos

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